Determinismo tecnológico e o mito da neutralidade: reflexões sobre os desafios na economia solidária e na tecnologia social brasileira

Daniel Teotonio do Nascimento, Elcio Gustavo Benini, Gustavo Henrique Petean

Resumo


Neste ensaio refletiu-se sobre o desenvolvimento da técnica e da tecnologia, recorrendo às categorias do ʽdeterminismo tecnológicoʼ e da ʽneutralidade tecnológicaʼ. Analisou-se os principais desafios e efeitos práticos negativos para a efetivação da Economia Solidária e da Tecnologia Social, considerando um desenvolvimento tecnológico marcado pela supervalorização da heterogestão e das tecnologias convencionais. Verificou-se que no Brasil há um determinismo estatal burocrático, devido à passividade, especialmente do Estado, em institucionalizar legalmente a Economia Solidária e a Tecnologia Social. Posteriormente elaborou-se as seguintes propostas para potencializar essas formas organizacionais alternativas, (i) aprovação os Projetos de Lei em tramitação; (ii) transformação das políticas de Governos em políticas de Estado; (iii) paridade na repartição dos subsídios entre as Tecnologias Convencionais e as Tecnologias Sociais; (iv) divulgação das externalidades positivas produzidas pelos projetos de Economia Solidária e de Tecnologia Social; (v) inserção de acadêmicos nos Empreendimentos Econômicos Solidários

Palavras-chave


Técnica; Tecnologia; Determinismo Tecnológico; Economia Solidária; Tecnologia Social.

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DOI: https://doi.org/10.7769/gesec.v12i2.1163

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